segunda-feira, 6 de março de 2017

Review #15 - Supercombo: Amianto (2014)


O terceiro disco da banda de rock alternativo brasileiro Supercombo, Amianto, foi realmente o álbum que os levou para o reconhecimento geral, principalmente por terem participado da segunda temporada do Superstar. Foi gravado e produzido pela ELEMESS, que também trabalhou com a banda Far From Alaska e com o artistas Enzo Romani, diferentemente do primeiro álbum, Sal Grosso, que foi gravado e produzido independente. O álbum conta com os grandes sucessos Piloto Automático e Amianto, músicas que de primeira impressão podem retratar algum tipo de niilismo e pessimismo, denunciando a realidade de quem mora numa metrópole. De primeira impressão, pensa-se que o álbum tem uma sonoridade única, tendo efeitos eletrônicos paralelos à música em algumas faixas, mas é notável que a banda remete a uma sonoridade igual às bandas Muse e Weezer, até mesmo pelo arranjo e forma das músicas. Na questão lírica, muitas músicas acabam por não fazer sentido, sem estrutura, tendo uma poética que relembra a antiga banda do vocalista Leonardo Ramos, 2ois.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Review #14 - Dona Cislene: Um Brinde aos Loucos (2014)


Recado

Galera, tudo bem? Quem fala é o Gabriel, quem vem escrevendo todas as reviews e postagens do blog. Hoje teremos uma review diferente, pois não fui eu quem a escrevi, e sim o Leonardo Benedito, também baixista da banda em que toco, Boralá, e a partir de agora irá me ajudar com algumas postagens. Não tenho dúvida que irão gostar das reviews dele!

                   

Talvez esse seja o álbum mais “pra jovem” da nova geração de bandas de rock dessa década. Muitas vezes dizer que algo ser pra jovem é ruim, porém a banda Dona Cislene fez um trabalho magnífico com o álbum Um Brinde aos Loucos (2014). Ouso dizer que depois de Charlie Brown Jr eles foram a banda que mais soube retratar o que o jovem quer ouvir no momento. Ter uma vida não se importando do que os outros dizem de ti e realmente querendo fazer a vida ser divertida como é retratado em “Good Vibe”, “Ego” e “Não Dessa vez”. Pra quem quer ouvir um álbum porradeira com afinação pesada em muitas músicas e que remetem a bandas como Raimundos, CBJR e The Offspring (banda essa que já abriram show) o álbum acaba sendo uma ótima escolha. E fiquem ligados que esse ano a banda irá lançar um novo álbum.

Dica de música: Herói


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Review #13 - Lara os Ultraleves: Em Boa Hora (2015)


Em Boa Hora é o primeiro álbum da banda paulistana Lara e os Ultraleves, que preza criar um som com referências antigas, misturando assim ritmos como R&B, jazz, blues com a nossa MPB. Junção essa que não funciona tanto devido metade das composições líricas do álbum serem em inglês, perdendo um pouco a credibilidade da junção. A sonoridade lembra um bastante a sonoridade criada por Clarice Falcão, sendo bem mais elaborada instrumentalmente (como a música Volta Logo, My Dear, que lembra bastante uma música de comercial), e em contrapartida músicas que lembram o funk brasileiro de Tony Tornado, como Não Tem Volta, ou que remetem à Jovem Guarda, como a música que abre o álbum, Hora de Ir Embora, e até mesmo incrível música nos moldes de um Doo-wop¹ como em Anybody But You. O estúdio no qual gravaram foi o Estúdio 12 Dólares, que também já havia trabalhado préviamente com Léo Cavalcanti em seu disco Despertador, e com a banda Ludov, também produtor do estúdio. Embora algumas músicas caiam em clichês harmônicos, você percebe que a banda traz uma sonoridade diferente no aspecto de instrumentação e arranjo.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

"Zé Pereira" e a origem do carnaval de rua


O Carnaval é realmente um dos maiores eventos que acontece em nosso pais. Grandes festas que fecham as ruas, serpentina pra todo o lado, grupos musicais que participam da festa, como o bloco de Francisco, el Hombre, ou até mesmo músicas icônicas (e irônicas) que lembramos, como o "Unidos do Caralho a Quatro". Além de eventos culturais, como os bonecos de Olinda e o Frevo, o carnaval possui um costume muito comum que vai de ponta a ponta nesse pais, que é o Carnaval de Rua. Curiosamente,  é difícil imaginar que a quadrilha possa ter algo a ver com o carnaval, até porque, quem seria o louco de dançar quadrilha no meio de um bloco de carnaval?  Por isso vamos voltar para o século XIX, no Rio de Janeiro, com um sapateiro português conhecido por José Nogueira de Azevedo Paredes, Zé Nogueira para os mais íntimos. Por sua nacionalidade, Zé estava relembrando das festas e costumes, das quadrilhas portuguesas de sua terra natal com alguns amigos até que, segundo Jairo Severiano em seu livro Uma História da Música Popular Brasileira, "De repente, talvez estimulado pelo vinho, Zé Nogueira propôs saírem todos pelo centro do Rio, onde tinha sua oficina na rua São José, tocando bombos e tambores". Continuando: "Então o desfile realizou-se com grande algazarra e muitos vivas a um tal de Zé Pereira (que podeira ser o próprio Zé Nogueira), alcançando enorme sucesso e repetindo-se nos carnavais seguintes". Quase 20 anos depois do acontecimento, o ator Francisco Correia Vasques iria transforma-lo numa peça intitulada Zé Pereira Carnavalesco, cuja música final ficaria muito conhecida pela mesma que ouvimos hoje, a famosa música "Zé Pereira".

Bibliografia:

SEVERIANO, Jairo: Uma História da Música Popular Brasileira,2008, editora 34

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Review #12 - Meno Del Picchia: Macaco Sem Pelo (2013)


O álbum "Macaco Sem Pelo", do bisneto de um dos mais icônicos artistas da modernidade paulista, Meno Del Picchia, foi o segundo álbum lançado em sua carreira. Nesse álbum em especial, Meno fez questão de articular sua formação em antropologia¹ (no qual estava realizando sua tese de mestrado em que pode acessar clicando aqui), o que pode explicar toda a influência que o álbum possui, que vai de ritmos latinos a ritmos regionais brasileiros, como em Vou para o Pará, o qual mistura, em parte da música, a música cubana com o carimbó² paranaense. Essa música em especial me fez lembrar do álbum "Ópera do Malandro", do Chico Buarque, de 1979. Estéticamente, o álbum consegue mostrar o leque de referencias musicais que Meno Del Picchia conseguiu misturar, podendo lembrar desde um indie rock na música Macaco Sem Pelo e Seleta até um rock no "estilo d'Os Mulheres Negras" na música Alergia (que por coincidência tem a participação especial do próprio André Abujamra). A produção ficou por conta do próprio tecladista Otavio Carvalho, o qual fez excelente trabalho. As músicas, mesmo caindo em clichês harmônicos, conseguem salvar pelas variações, tanto melódicas quanto rítmicas (visto que o compositor aborda um leque de possibilidades). 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Review #11 - Ed Motta: Entre e Ouça (1992)



O terceiro álbum do compositor de funk/louge/jazz music brasileiro mais consagrado de nosso Brasilzão foi o álbum escolhido de nossa decima primeira review. O álbum marca a forte influencia de composições no estilo funk/louge jazz no álbum, tal como a marcante guitarra suingada, que permearia em suas futuras composições. É um álbum que não cai em clichês harmônicos e, embora as composições sejam "padrões" para o gênero, Ed ainda consegue dar um toque diferente nas composições, como por exemplo o solo de vibrafone nas músicas Nú Que Vale e Entre e Ouça, instrumento esse que é muito utilizado no jazz. Característica interessante foi a "língua" na qual Ed Motta cantou algumas músicas, apelidada por ele como "Ed Mottes", que nada mais é que a técnica de scat¹. O álbum foi produzido por Bombom, o qual já produzira seus primeiros CDs, também sendo produzido na Warner Music Group, que ficou sendo responsável pela distribuição. Já em meados de 1993 Ed encerraria o contrato com a gravadora, porém, foi um dos maiores sucessos da gravadora, que ainda relançou em 2003. Apesar da produção executiva não ter apreciado o álbum, tal como gravadoras, rádios e afins, não é equivocado dizer que foi um álbum divisor de águas na carreira de Ed Motta (que também é marcada com grandes polêmicas). Um álbum relaxante, para escutar em dias chuvosos, fazendo jus à capa do álbum, um aconchegante lar para ouvir uma música aconchegante.  


¹ Para entender a técnica do scat: É uma técnica que consiste em criar um solo de voz similar ao de um instrumento, na maioria das vezes não utilizando palavras. Um grande exemplo são as músicas de Scatman John, o qual misturou a técnica do jazz com o techno music na década de 1990. Recomendação de música:

 https://www.youtube.com/watch?v=Hy8kmNEo1i8

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Review #10 - Rogério Skylab: Skylab I (1999)


O cômico álbum de Skylab, "Skylab I", foi o segundo álbum de Rogério, sendo este o primeiro álbum de uma série, que teve seu fim até o décimo álbum, "Skylab X". Pouco conhecido, até mesmo inacessível em algumas plataformas de som, foi difícil achar o álbum. Embora não seja o mais mainstream, é um dos álbuns mais consagrados pelos fãs, até por conter os hits Matador de Passarinho (que futuramente se tornaria o nome de um programa apresentado pelo próprio Rogério) e Moto-Serra. Foi gravado pelo lendário Robertinho de Recife, que claro, todos conhecem por trabalhar com Moraes Moreira, Xuxa e Lulu Santos Hermeto Pascoal, Zeca Baleiro, Martinho da Vila, e internacionalmente com George Martin (considerado o quinto beatle), Andy Summers, entre outros. Apesar das músicas possuírem nomes tenebrosos, e até mesmo letras tenebrosas, o ar cômico e o estilo de canto sprechgesang¹, mudam totalmente o ar sombrio. Skylab aproveita os mais variados estilos em suas músicas. Harmonicamente as músicas deixam muito por esperar, mas no quesito estilo, o autor consegue muito se expressar bem, caminhando desde o brega clássico de Roberto Carlos até um chorinho na música Pedigree. Ótimo álbum pra quem curte músicas cômicas e humor negro.

¹Sprechgesang é uma técnica de voz expressionista que consiste em executar um "canto falado". Abaixo deixo o link para a peça "Pierrot Lunaire" do consagrado autor Arnold Schoenberg, precursor da música expressionista.

https://www.youtube.com/watch?v=bd2cBUJmDr8